Mundo pequeno, redondo e que gira.


Eu aprendi nas minhas leituras e fuçações que dejàvu é uma espécie de curto-circuito, um mecanismo de defesa que o seu cérebro apronta para realinhar os ticos e tecos em fila bonitinhos lá na massa encefálica.
Então, quando você tem aquela esquisita sensação de ter estado lá, de ter visto aquela cena, isso não passa de uma enganação sacaneosa da sua cabecinha. É lóóóógico que você não viveu nada daquilo não!
Mas eu devo ser sincera e contar pra vocês que eu tenho vivido dias de dejàvu amplo, geral e irrestrito.
Eu explico: eu postei pra vocês que estou de emprego novo, não postei?
Recentemente recebi um convite para fazer parte de uma equipe do mundo corporativo e aceitei.
Mas acontece que trata-se de pessoas que conheço há mais tempo, de uma empresa onde trabalhei há anos. Naquela empresa eu tive oportunidade de aprender montes de coisas que fazem a gente dar os pulos na vida e ficar bem ligeira.
Agora eu volto para essa rotina sem rotina, com hora para começar e nenhuma hora para terminar, mil deadlines para administrar etc etc etc etc.
E revendo pessoas que há tanto tempo eu não via... Pessoas que eu conheci daquela outra empresa e que agora formam essa equipe nova, na empresa nova.
Gozado....
Ontem eu fui almoçar correndinho e... esbarrei em uma pessoa que eu conheço há mil anos (daqueeeeela empresa, vocês já entenderam!).
Eu nem sei o nome dela, mas eu conheço de tanto ver na hora do almoço.
Fiquei longe, fui viver uma vida diferente e ...
Que engraçado... eu a encontrei na mesmíssima hora do almoço, do mesmo jeito, correndinho, correndinho, anos depois.

Eu fui ali ter uma filha, ser dona-de-casa, ajudar minha família... Fui logo ali rapidinho e já voltei!
Hoje lancei no sistema umas solicitações de viagem, corri atrás de reservas de vôos, bolei uns roteiros de eventos, participei de conferences call com gente de cada lugar do mundo que eu nem sei, e desembaracei uns quiprocós malucos que há um mês eu nem sonhava.

Mundo pequeno, redondo e que gira...
gira, gira, gira... é pequeno... é redondo...
Olha eu aqui de novo, ó!

Cinzas ao mar

Um de meus primeiros posts aqui nesse mirrde e limpinho blog falava sobre o Titanic.
Naquele texto eu comentei sobre a última sobrevivente do naufrágio, que estava beeeeeem velhinha. Eu sentia pena dela porque, naquela idade avançada e tendo uma história de vida tão marcada, ela lutava para conseguir dinheiro para sua sobrevivência, chegando a leiloar alguns objetos de família relacionados à tragédia do naufrágio. 
Millvina Dean, quase 100 anos de idade, fechou os olhos e partiu no mês de maio, se não me engano.
Acabo de ler que suas cinzas foram jogadas ao mar e ao vento.
E assim o último elo que nos ligava àquela história tão emblemática desaparece.
Foi-se o que era real. Permanece somente a lembrança.
É estranho como tudo passa... As coisas, as situacões, as pessoas...
Um bom tema para pensar nesse domingo. 
Não precisa ser muito filosófico, não. Senão você só viaja e a vida prática fica para trás, certo?
Mas comece a semana focando melhor nas coisas que faz e que permanecerão, pois são elas as mais importantes.
Boa semana, boa sorte, vida longa e próspera!



Coceguinhas no nariz


Eu disse pra vocês que estou saindo do inferno astral.
O que vem a ser isso?
Inferno astral é uma fase de atribulações que nos preparam, nos "treinam" para enfrentar dias melhores e diferentes.
Eu tenho recém completos 43 anos de idade e encontrei a alça de acesso perfeita para pegar a minha estradinha.
Hoje comecei em meu novo emprego.
Sabe quando você fez o mesmo caminho a vida inteira para chegar a um lugar legal?
E sabe quando você precisa buscar uns atalhos novos para chegar ao tal lugar, para desviar do trânsito?
Então... é mais ou menos isso que vivi nos últimos tempos.
Tempos de desafios.
Voltei para a minha estradinha...
Hoje foi um dia de muita emoção para mim.
Estou contente.
Eu brindei com champanhe, porque eu sou filhinha de Deus!
Caramba! Coceguinhas no nariz e no cérebro...
Vou dormir agora, talvez sonhar...
Amanhã é um novo dia.


E de emprego NOVO!!!!
Iupi!!!!!!

Adoçando a boca


Há uns quinze dias meu marido vinha falando de uma vontade absurda de comer pipocas doces, dessas que a gente comprava no carrinho do tio em frente à escola. Milho estourado na pressão, banhado em açúcar e embalado em saquinhos cor de rosa bem toscos.
Na sexta-feira retrasada a caminho de casa, ainda com vontade de pipocas, meu marido decidiu que passaríamos numa loja de doces e artigos de festa que existe no bairro. 
Só que em frente a um açougue especializado em churrasquinhos, minha filha sentiu o cheiro do filé miau queimando e decretou: vamos jantar churrasco! 
Não por falta de comida em casa, porque eu sempre tenho um feijãozinho e uma misturinha ajeitados no freezer. 
Mas sabe, criança é assim.  Tem tudo em casa, mas cobiça qualquer tranqueira na rua. Não gosta do arroz fresquinho da mãe, mas se delicia com a coxinha requentada de dois dias cheia de cebola velha no mosca-frita da estação de trem. 
Mas, em relação ao churrasco, confesso que o cheirinho conseguiu me carregar. E eu nem sou tão fã de carne.
Pelo tempo que passamos pagando e embrulhando os espetos, foi a conta para fechar a loja de doces.
Pronto. Meu marido mais uma vez ficou sem as pipocas.
Os dias foram passando, eu me esqueci das pipocas, tivemos todos uma semana muito atribulada. 
Meu marido, voltando ao trabalho depois do afastamento por causa do descolamento de retina. 
Minha filha, penando com a tensão das provas bimestrais. 
E eu... bem... eu estava tratando de mudar uma porção de coisas na minha vidinha besta.
Anteontem, sexta, foi um dia especialmente exaustivo e tenso para mim. 
Quando aquele dia estranho acabou, meu marido foi me buscar de carro no local onde eu me encontrava. Eu tinha deixado o meu carro em casa porque onde eu ia passar o dia o estacionamento custa praticamente o valor do veiculo. Imaginem... primeira hora, oito reais. E num bairrinho de meleca onde eu andava de bicicleta Caloi Berlineta sossegadinha na minha infância.
Agora a região virou alto padrão, comércio cheio de onda, etcetera e tal. Então as velhinhas que possuíam casinhas com quintais de abacateiros venderam os imóveis e aqueles latifúndios viraram estacionamentos de alta rotatividade onde só param carrões importados. O meu GM ficaria por lá de intruso.
Então meu marido veio em seu alazão e me salvou.
Adivinhem o que ele estava fazendo sozinho, escondido? 
Comendo pipocas doces do saquinho de plástico cor de rosa.
Traidor...
Mas eu logo o perdoei, porque ele teve a decência de comprar não somente um saquinho, mas um fardo inteiro, para farta distribuição.
Quando dei por mim estava nervosa ainda, inconformada com todo o ódio que habita a índole humana, mas amaciada com umas pipoquinhas adoçando a minha boca. 
Comi pipocas doces como se não houvesse amanhã. A ponto de cortar a gengiva e as partes internas da bochecha de tanto mastigar.
Estou com aftas até hoje, mas aquelas pipocas foram a melhor cachaça que me aconteceu nos últimos meses. 
Para problemas difíceis, soluções simples.
Esse é o segredo de viver feliz.


A autora desse mirrde e limpinho blog está saindo do inferno astral e entrando em nova fase. Por causa disso, provavelmente dará as caras por aqui com menor frequência. 
Sei que vocês entenderão.
Prometo contar mais da minha vidinha besta oportunamente, assim que acontecer qualquer outra bestagem que mereça registro.


What porra is that?

Esse mundo está perdido...
E a Lua, também!
Que negócio é esse de bombardear a Lua, hein, cambada?
Disseram que é para achar traços de água por lá. Assim, quando a gente for invadir a praia deles, já tem o essencial, certo? 
Ou então, se a gente esgotar todas as possibilidades de sujar e vilipendiar o nosso planetinha bonitinho, recorreremos à nossa linda Lua de Prata, que vai ganhando mais e mais crateras. 
Ai, ai...

x x x x x x

E o Obama, meu chapa, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. 

Acordou laureado dos pés à cabeça.
Merecido, lógico!
Afinal, entre outras coisas,  ele foi o primeiro a reconhecer que o Lula é "o cara" e está com o Brasil em alta conta.
Primeiro despacho como "Nobelado da Paz": bombardear satélites na Lua. 
É melhor não divulgar muito essas intenções, senão vai que o Movimento dos Sem-Terra se inspira e resolve invadir por lá também, passar o trator nas poeiras lunares para plantar feijão...
Poor Moon...

Na pressão

Besteira, esse post aqui.
Mas eu me propus a falar sobre uma pessoa normal, com uma vidinha bem normal.
Gente normal cozinha, lava louça,  faz pudim, não faz? 
Ontem passei na banca e comprei uma edição especial chamada "panela de pressão" do Daniel Bork, o culinarista da TV Band. Uma publicação super vistosa, que promete já na capa várias receitas fáceis, baratas e práticas.
Tá pra mim, que sou medíocre na cozinha. Eu cozinho o suficiente para não deixar a minha família à mingua.
Preparei uma receita de pudim de coco batido no liquidificador e que depois de colocado em forminhas, as mesmas são blindadas com papel alumínio e vão cozinhar na panela de pressão durante quatro minutos.
Gostei, deu certo!
Da mesma revistinha fiz uma receita de carne bovina temperada no alho e molho inglês, recheada com cenoura e cozida na pressão. Show de bola, parecia comida de restaurante. Nem acreditei...
Será que a panela de pressão será a salvação desta casa?
Depois de tantos anos de casada, descobri que nem tudo na cozinha está perdido...


Meu filho, meu mundo!


Hoje, logo cedo, fui ao consultório do oftalmologista acompanhar o meu marido em uma consulta.
A propósito, antes de contar o que eu ia contar, devo mencionar que meu marido teve outro ligeiro descolamento da retina no mesmo olhinho esquerdo e, por causa disso, deverá fazer nova cirurgia ainda nesta semana. Nada grave, mas sabe como são essas coisas...
Mas aí acontece que nós estávamos na sala de espera, com aquela mocinha pingadora de colírio de dilatar a vista, toda de branco pra lá e pra cá, se equilibrando em seus sapatinhos de salto meio agulha, meio martelo sem cabeça, ou sei lá o nome do formato que se dá àquele saltinho infame.
Àquela hora da manhã eu fiquei imaginando como ela fazia para se equilibrar no ônibus com aquele salto. Se eu fosse homem, olharia aquela moça e ficaria imaginando outras coisas bem menos nobres, mais ancestrais. Mas eu não... eu fico imaginando coisas idiotas da vida dela que não me dizem respeito.
Até que ela era gostosinha... Aposto que tem namorado.
Ops, desviei do assunto de novo.
Quero contar outra coisa, mas fiquei divagando no famigerado saltinho da pingadora de colírio.
Ok, vamos lá: estávamos na sala de espera e entraram uma velhinha, uma moça-senhora e uma menininha-bebê. Deviam ser avó, mãe e neta.
Sentaram-se à nossa frente. A mocinha pingadeira de colírio de dilatar a vista veio toquitocando seu saltinho apressada, chamou "Dona Maria" e foi lá com suas gotinhas judiar da mulher.
Então ficamos esperando o momento certo de estarem todos devidamente ceguetas para o médico começar a chamar um por um.
A moça - não a pingadeira, mas a mãe da nenê - ia pra lá e pra cá, também com uma espécie de saltinho toquitoqueiro, só que esse era de executiva, mulher que pilota um cabelo, munida de celular importante e tocador. Falava, falava, dava ordens, discordava, desligava. O celular gritava de novo, ela se levantava e saía tocando o terror pra cima de seus pobres subordinados.
Entraram dois senhores nordestinos, cuja conversa eu não entendia patavinas porque eles falavam o dialeto baianês-arábe, que eu não tive ainda a oportunidade de estudar melhor.
De repente, um cheiro terrível no ar...
Pensei: esse simpático lindinho (leia-se pilha da futa) resolve sair de casa logo cedo pra vir peidar aqui no meio da gente!
Não, não era pum. Não se tratava de flatulência explícita.
A nenê é que tinha recheado direitinho suas fraldinhas da turma da Mônica.
Onde é que o Mauricio de Souza estava com a cabeça quando resolveu associar sua marca a dejetos infantis?
Bom, talvez o Mauricio de Souza tenha pensado mais nos milhões de fraldas que as criancinhas precisam usar durante um considerável período e nos royalties a receber do que propriamente no totô.
A Dona Maria velhinha não podia acudir a nenê cagadinha porque, como já se esperava, ela estava bem cegueta. Mas a meiga mãezinha tocadora de terror corporativo se ligou na missão e levou a criatura para a salinha de trocador, fazendo o que era certo fazer.
Ela voltou com a menina, cuti cuti fofinha, celular em uma das mãos, e a fraldona recheada empacotada e socada na outra mão.
Muta perda! Vai tomar uma coca cola! Aquele cheiro de bosque empestiou tudo de novo!
O cheiro reinava soberano e amarelo. Nada podia ser feito!
A mãe pilota de fralda guardou (isso mesmo!) - GUARDOU - o pacote do bolinho fecalzinho da nenê cuti cuti fofinha da mamis fófis gotosinha de meu Deus coimailinda dentro de sua bolsa crocodilo chiquésima!
A nenê, já de bumbum limpinho, sentiu um soninho e começou a pedir suas coisinhas: tetê, pepê, paninho...
E a cada pedido feito com tanta graça, a bolsa do mal absoluto se abria novamente para revelar seus mais fétidos humores...
Meu marido salvou-se logo. O médico chamou e ele adorou seguir para o exame.
Eu não, não havia escapatória: ali permaneci, a pagar meus pecados.
Ali, logo à minha frente, estavam três gerações de mulheres. Uma no pleno exercício de sua decadência celular, outra em pleno exercício de domínio do esfíncter retal e outra, entre essas duas, em pleno exercício de maternidade insalubre.


Até a mais pragmática das raposas felpudas do mundo corporativo é capaz de comer resto de papinha, beber finzinho de suco de laranja-lima e guardar fralda suja dentro da própria bolsa.
E afirmar, extasiada, óvulos pulando:
"Meu filho, meu mundo".

O tempo não para...

Zapeei a TV e caí no filme do Cazuza.
História confusa e breve, a dele.
Já assisti a esse filme há mais tempo, mas mesmo assim me deu uma tristeza... Lembrei-me do dia em que ele faleceu, em 1990. 
Ouço as suas músicas e me pergunto, um pouco atônita:
Onde está a poesia do Cazuza?
Onde está a poesia do Renato Russo?
Onde está o rock melódico e contundente que a gente fazia nos anos 80?
Onde está a transgressão sadia de minha época?
Onde raios está a juventude de hoje que não reage?
Saudades dos Ramones e Sex Pistols, os punks mais gente fina que o mundo já conheceu.
Saudades de ter ido a shows no meio da lama.
Saudades de ter visto Dado Villa Lobos dedilhando o violão.
Saudades de admirar Roger invadindo a praia.
Saudades de pensar totalmente diferente. 
Pensar - com o cérebro.
Hoje em dia tudo é pasteurizado, fashionista, impermeabilizado. 
Que lama, que nada...
Show de rock é sala vip, figurinista para definir outlook, visagista pra desconectar o cabelo e até a barba de dois dias do vocalista é planejada. Tudo para fotografar bem em Full HD. 

Confesso: tenho vontade de catar um outro robozinho de 18 anos pelos ombros e chacoalhar, aos berros: "meu, vá ler Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Kafka, Carl Sagan, Simone de Beauvoir, Marilena Chauí, Goethe, Nietzsche, e outros tantos pra ver se você enxerga um caminho a seguir...
Esqueça a cachorra do funk e pense mais que um jeans paga-cofre e uma tanga gulosa.
Arranje namorada na universidade, no cinema, no teatro; não na feira, junto a melancias, morangos e melões. 
Esqueça pancadão, batidão e pagodão.
Essas porcarias são drogas pesadas. Elas agem ressecando e atrofiando seus neurônios, deixam maus espíritos colados nos cantos da casa, que vira morada de exus tranca-rua para todo o sempre!
O mundo já tem barulho demais pra querer a sua moto 150 estalando escapamento. Tente se aparecer de outro jeito. Que tal ouvir um bom e velho rock e se esforçar para conseguir compreender a sua letra?
Pegue um ônibus sozinho, arrume um estágio no banco, vá virar gente, meu chapa."

Saudades do Cazuza, a quem chamaram de bicha e maconheiro...





Primavera


Chegou a primavera, nova estação.
Tudo é pretexto para renovar coisas, modificar o que merece um novo olhar.
Primavera de chuvas, de novos e fortes ventos.
De novas perspectivas e velhas certezas - e tudo recomeça.
Aproveite para puxar o ar para dentro dos pulmões.
Retome os planos que iam escapando pelo passar dos meses.
Falta pouco para acabar o ano.
Você realizou até aqui as suas proposições do reveillon?

Ainda dá tempo! Não desista, não!

Feliz estação para você!

Preguiça...


Tirei essa manhã de sábado para a preguiça.
Levantei-me cedo, é verdade, mas é que estava com aquela vontade de tomar café. 
Não voltei para a cama porque, infelizmente, sou uma pessoa que depois que acorda não dorme mais e, se ficar lagarteando deitada, ganha inteiramente grátis uma dor de cabeça dos infernos.
A pia já começou a juntar uma loucinha. Em breve atrairá vida selvagem.
Tem uma cortina inteira recém lavada na máquina e eu não estendi. Se demorar mais umas três horinhas o cheirinho do amaciante vai embora (dane-se, quem quer cortina cheirosa na sala?).
Tirei do freezer um potinho de feijão e um pacotinho de linguiça defumada. No almoço é só esquentar o feijãozinho salvador e preparar um arroz com tudo dentro: um só trabalho, uma só panela. Acompanha uma saladinha.
Já perceberam como tem propaganda de mil coisas na TV nas manhãs de sábado? 
Centrífugas, processadores de alimentos, aparelhos de ginástica, limpadores de turbo jato, fornos de infravermelho, escadas dobráveis e estensíveis, secadores para domar cabelos, baby-liss para cachear, chapinhas para alisar, gel para peeling.
A gente paga TV a cabo para assistir propaganda, que legal. 
Eles devem adivinhar que tem um montão de gente fazendo sábado da preguiça, então aproveitam para hipnotizar as pessoas com suas mensagens consumistas. 
Não deixa de ser um excelente recurso: você sacia a vontade de ter uma casa linda com quintalzão só de olhar aquelas famílias felizes lavando carros e pisos com um tremendo sorriso na cara, que alegria!

Não consigo deixar de me sentir culpada com tanta preguiça.
Nem arrumei os cabelos. Fiz um birote e prendi com uma piranha roxa.
Ainda estou usando o pijaminha. Joguei por cima o roupão e estou arrastando uma havaiana básica. O pé está gelado, mas estou com preguiça de subir ao quarto para buscar uma meia.
Chinelo havaiana com meia... Nossa, isso é a representação pictórica do portal do inferno.
Melhor não começar com isso, senão vicia.


Eu deveria estar batendo um bolo de cenoura ou coisa assim.
O que vão pensar de mim, nessa largação toda?
Ops, eles chegaram. A pequena me fez colar a orelha na barriga para ouvir os barulhos de fome lá de dentro.

Lá vou eu preparar aquele arroz da panela solitária.
Acabou a preguiça...
Vamos lá, ao mundo real,  tô chegando de novo! 
Assim é o post de uma mãe-dona-de-casa-esposa que não tem um dia pra chamar de seu.